De facto, esta grande obra de Valter Hugo Mãe retrata como o amor é sobretudo a vontade de amar, retrata sobretudo a história de Crisóstomo, um pescador solitário que, ao chegar aos quarenta anos, decide fazer o seu próprio destino e inventar uma família. Ao longo desde livro, deparamo-nos com várias personagens de cada vez que, aos poucos, se vão interligando a Crisóstomo. Camilo, filho de uma anã que foi abusada e acabou por morrer a dar à luz, foi adotado por um velho, o velho Alfredo que dizia ser seu avô. Quando morreu, Camilo, com catorze anos, foi trabalhar para a traineira onde Crisóstomo trabalhava como pescador. Crisóstomo era um homem triste com a vida, pois os amores tinham-lhe fugido e, por isso, não conseguia concretizar o seu sonho de ser pai, pelo que, uma noite, chegou na traineira um rapaz à procura de trabalho, um rapaz novo de catorze anos, dizia que precisava de sobreviver já que o avô tinha morrido. Era Camilo que encontrou não só trabalho, mas um pai com um sonho de ter um filho como ele.
A minha experiência de leitura tem sido uma jornada surpreendente, pois o livro revela-se uma obra de grande profundidade, explora de maneira bastante precisa temas como a paternidade, a solidão, a busca por uma identidade e por um lugar no mundo. O que mais me impressiona na escrita de Valter Hugo Mãe é a forma como o autor consegue entrelaçar profundidade, ternura e humor num só livro. Além disso, as personagens são descritas de forma nua e crua, mas ao mesmo tempo tão humana que acaba por nos ensinar sobre resiliência e a importância do amor, mantendo-me sempre presa à leitura, ensinando-me a compreender as escolhas da vida e as emoções da humanidade.
Raramente a leitura universal produziu um texto tão sensível e humano quanto este, a pura experiência de amor pela humanidade que explica como um sonho muda a vida.
Título: “O Filho de Mil Homens”
Autor: Valter Hugo Mãe
Editora: Porto Editora
Modo/género literário: Narrativo/Romance
Sugestão de leitura de Victória Pinhal Costa